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Fonte: DCI – SP

Com as startups, os negócios sociais criam possibilidades inovadoras

Há alguns anos, um novo modelo de empreendedorismo vem crescendo no Brasil e em várias partes do mundo: o empreendedorismo social. Os empreendedores que aderiram a esta “nova forma de olhar” o desenvolvimento de um novo negócio se diferenciam basicamente por dois princípios: têm um foco e uma intenção de resolver questões socioambientais com sua oferta de produtos e serviços. Muitas empresas, que não se consideram negócios de impacto social, também resolvem importantes problemas socioambientais, mas o que os diferencia é já nascer com este foco e intenção.

Hoje, dois em cada três brasileiros vivem com renda per capita de até R$ 750,00 por mês, o que equivale a R$ 3.000,00 mensais para uma família de quatro pessoas. São as chamadas classes CDE. Estes grupos familiares têm muitas necessidades que não estão sendo bem atendidas nas áreas de saúde, educação, habitação, inclusão financeira e mobilidade. Os empreendedores sociais buscam entender a vida destes indivíduos para desenvolver produtos e serviços que se alinhem às suas demandas e, sobretudo, melhorem as suas vidas.

Um dos grandes desafios para os empreendedores sociais é o de conhecer com profundidade o dia-a-dia destas famílias para encontrar as necessidades não atendidas. É muito comum, em qualquer tipo de novo negócio, que o empreendedor “se apaixone” por sua ideia e invista muito tempo desenvolvendo este produto ou serviço.

Antes disso, porém, é preciso ouvir os clientes potenciais, conversar e ir à rua, ou seja, vivenciar a vida destas pessoas. Mesmo que produto ou serviço já esteja pronto, é muito importante ouvir opiniões, críticas e sugestões dos próprios usuários potenciais. Esta validação é muito rica no processo de aperfeiçoamento do que será lançado. O conceito “customer centric”, que é o desenvolvimento de algo pensando sempre no “cliente no centro”, é muito usado pelas startups do Vale do Silício e tende a ser útil também para os empreendedores sociais.

Aqueles empreendedores que não têm capital para contratar uma pesquisa de mercado podem recorrer a parcerias com ONGS para vivenciar o dia-a-dia do público beneficiado e entender as suas necessidades. Além disso, podem buscar pesquisas abertas na internet sobre este público. Para avaliar os riscos do negócio, o ideal é fazer um plano de negócios que contemple diferentes cenários e conversar muito com pessoas que entendem tanto de negócios quanto do público a ser atendido.

Mesmo que muitas vezes o empreendedor social vislumbre uma importante necessidade não atendida, é preciso avaliar quem irá pagar pelo serviço e como será a proposta de valor do novo negócio.

Com efeito, muitos jovens sonham em desenvolver atividades com propósito social. Há algum tempo, isso só era possível com o trabalho no terceiro setor ou mesmo em uma das esferas de governo. O empreendedorismo social é mais uma opção para estes jovens que possuem muita vontade de ajudar e podem promover inovação para as políticas públicas e os projetos sociais tradicionais.

Por fim, os negócios de impacto social não têm o objetivo de substituir o papel do Estado no fornecimento de serviços públicos. Com a agilidade das startups, eles são capazes de detectar necessidades e criar possibilidades inovadoras, que podem, certamente, contribuir para qualificar e complementar as ofertas públicas.

mauricio.prado@planocde.com.br

Maurício de Almeida Prado, Diretor executivo da Plano CDE

Categorias: ECONOMIA SOLIDÁRIA

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